Quem diria hoje

São Paulo, Quinta-feira, 22 de Março de 2012 às 11:26

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Hoje
Meus medos enfrento
Isento de culpa

Via
Como que por uma lupa eles
Engrandecidos
Pelos meus desvios

Quando devia encará-los
Temi dor e feridas
Quem diria hoje
Meus olhos nos deles...

Quem diria hoje
Sem artifícios
Nem resquícios
Do menino
-Um homem-

Que se formou hoje
Sobrepôs o olhar nos temores
Sobreveio fé e coragem
E se tornou grande também

TAGS: medo dor coragem sentimento

Quem Diria Hoje

São Paulo, Quinta-feira, 22 de Março de 2012 às 11:19

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Hoje
Meus medos enfrento
Isento de culpa

Via
Como que por uma lupa eles
Engrandecidos
Pelos meus desvios

Quando devia encara-los
Temi dor e feridas
Quem diria hoje
Meus olhos nos deles...

Quem diria hoje
Sem artifícios
Nem resquícios
Do menino
-Um homem-

Que se formou hoje
Sobrepôs o olhar nos temores
Sobreveio fé e coragem
E se tornou grande também

TAGS: avulso

É algo que atravessa a alma

São Paulo, Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012 às 03:43

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É algo que atravessa a alma
Não some
            Não que eu queira
Meu coração tem memória e não se apaga
E relembra vez em quando
Um passado
            Não que eu mesmo queira
Relembrar, mas
Quem nunca comparou momentos?
Meu coração compara muitos
E às vezes eu paro
            Não que eu queira
É que ele quer
Porque coração guarda o que a mente descarta
Coração mostra o que a mente esconde
E aponta o que já era esquecido
            Não que se queira
Provocar, relembrar, ressentir
É que coração vive de sentimento
E se à flor da pele é rasa
Ele é profundo
            Não que eu queira
A profundeza. Coração não sabe o que é ir
Muito longe: acha mágoa, alegria, tristeza.
Felicidade..
            Não que eu não queira
Às vezes, relembrar.
Mas, vez em quando, coração vai longe
E não dá pra negar, faz parte
Tem coisa e gente que dá saudade!
            Não que eu queira...

TAGS: alma coração sentimentos momentos lembranças

Sambinha desesperado (welcome to brazil wall street)

São Paulo, Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011 às 01:47

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Welcome To Brazil Wall Street





welcome to brazil wall street!
welcome to brazil wall street!
welcome to brazil wall street!

as economias em pandarecos e o
sobe e desce das bolsas desesperado
o mal-estar às madrugadas e
o medo fecha mais um pregão de segunda-feira
o desemprego ianque de passeata e

welcome to brazil wall street!
welcome to brazil wall street!
welcome to brazil wall street!













(Foto: Revista Época Negócios)

TAGS: samba desespero economias mal-estar

Tenho sede de esperança!

São Paulo, Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011 às 01:09

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tenho sede de esperança!
esta que me falta. por que
o que tem a um homem que de todos
os lados só lhe resta o chão
duro e comprido? sombrio

todas as vezes me intrigo
a cada passo, como mandíbula
de boi quando rumina:
quantas noites como esta, me
relembro me corroendo,
me inclinam?

feito um Atlas moderno sofrido,
cheio de calos nas mãos (e nas costas
: o mundo pequeno e pesado
quatro crianças e o mesmo pedido

) num canto abatido uma garrafa
de cerveja vazia respirando fundo
pra subir mais um dia...

TAGS: sede esperança homem chão

Parece que o que me resta é ficar parado

São Paulo, Quarta-feira, 02 de Novembro de 2011 às 12:17

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parece que o que me resta é ficar parado.
parece que para qualquer lado que eu olho
tudo some e foge de mim.
dos meus sonhos, das minhas vontades.
há uma terrível providência e tudo o que posso fazer
parece que é ficar parado e ver tudo passar:
onde foi aquele ânimo de antes?
há dois anos atrás eu queria
acordar cedo aproveitar o início do dia
agora ando sem sono na madrugada
luto contra o sono pra não ter que dormir
pra não ter que acordar: quando durmo à noite
e acordo cedo me lembro que mais um dia se foi
e sei que tenho um dia a menos à frente
(ou um dia a mais parado).
parece que eu erro todas as vezes que me movo.
e mover é algo que me constrange e me surpreende
agora como um menino que ouve o pai e a mãe no quarto
por trás da porta.
agora como um menino tímido e medroso
que só ouve.

TAGS: sentimentos sensações sonhos vontades tudo

Ferreira Gullar lê "Poema Sujo"

São Paulo, Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011 às 18:25

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Eu li um poema, certa vez, e gostei muito. Isso já tem um bom tempo. O poema estava em uma folha de papel que fora rancada de um livro didático e estava dobrada no meio de um outro livro que eu havia emprestado da biblioteca da escola em que eu estudava. Era um livro de geografia, eu o havia pego para fazer um trabalho de escola. O poema era de autoria de um cara que eu nem sabia que existia, nem me passava pela cabeça quem era o tal. Isso foi em 94 ou 95.

Os créditos do vídeo são à Revista Bravo e ao Instituto Moreira Salles.

TAGS: poetas poemas Ferreira Gullar poema sujo

Poema à Infância (Cirandinha Infantil)

São Paulo, Quinta-feira, 06 de Outubro de 2011 às 11:13

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São Paulo. C.L.B. 40 anos comerciante.
espanca até a morte seu filho
de 4 anos. porque ele
-se recusava a aprender a nadar-.

K.M. 37 anos. Curitiba.
durante briga com o marido
mata o filho de 6 anos.

J.S.M. 22 anos atirou seu filho de 4 meses contra a parede.
-por não agüentar o choro da criança-.
-a cabeça do menino rachou
como uma melancia-. disse ele.

Estados Unidos da América. D.R.
esfaqueou e matou seus dois filhos de 5 e 6 anos.
que assistiam a um desenho na televisão.
-para receber o seguro de vida deles-.

S.S. colocou seus filhos de 14 meses e 3 anos dentro do carro.
depois atirou o veículo em um lago.
-para agradar o namorado-
que não gostava de criança.

morreu na Ceilândia.
era espancado constantemente pela madrasta de 17 anos.
o som da cabeça do menino batendo na parede
a vizinha diz que ouviu várias vezes.
a madrasta obrigava o menino
a lavar roupa limpar casa colocar o lixo para fora
recolher as fezes do cachorro.
o garoto tinha 4 anos.

pai embriagado.
menina pede ao pai um pedaço de pão.
mas ganha um soco no olho.
então como a menina chorava. matou-a.
jogando-a contra geladeira.

menina de 1 ano e meio.
dois dias após o natal.
pelo próprio pai
em Brazilinha é espancada.
choro sentido. entrecortado pelos gemidos.
olho direito roxo.
escoriações fratura na perna esquerda engessada.

M.N.L. matou dois filhos.
por achar que as crianças eram a
-encarnação de Satanás-.

Fabiane de 3 anos.
foi morta a socos e pontapés.
por dois tios.
eles estavam expulsando uma bruxa que
tomava conta de seu corpo. em Bananal.

em Magé. os pais sacrificaram o filho
de 3 anos. para homenagear Exu. num ritual.

C. S. L. dá a luz no banheiro de um avião.
depois com papel higiênico
mata a criança sufocada.

Bruno de um 1 ano e 8 meses.
espancado por sua mãe com uma concha de mexer feijão.
tapas chicotadas de galhos.
por várias vezes. até morrer.
-para aprender a não mexer mais nas coisas-.

Marcos 8 anos.
recusou-se a fazer o dever de casa
então. a mãe moatou-o a
golpes de PVC.

TAGS: poema infância ciranda infantil criança morte filho 12 de outubro

A casa que você escolheu para eu morar

São Paulo, Segunda-feira, 03 de Outubro de 2011 às 12:08

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A casa que você escolheu para eu morar
tem o teto baixo demais.
A mochila que você me deu tem um mundo
que é zica comigo.
Porque eu rasquei o meu caderno com as suas lições
e dei as costas as suas provas de ferro
vou cuspir nas suas avaliações até me secar.
Não quero a sua vitória
nem as fichas do seu jogo de cartas
como o peso para o meu equilíbrio.
Reneguei o seu carinho e a sua civilidade e o seu sistema
e o seu assistencialismo no final da esteira.
Tem uma nova bandeira surgindo sobre a minha cabeça.
Eu ainda tenho os sapatos comprados na sua loja
mas eles não andam mais sobre os seus caminhos.

TAGS: casa eu morar teto mochila mundo zica

Porque me contempla viver além das suas metas

São Paulo, Terça-feira, 27 de Setembro de 2011 às 17:37

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Eu saí da casa em que me colocaram
Do conforto do seu colégio fui evadido
Li os livros que estavam fora da sua lista
Porque me contempla viver além das suas metas
Eu não quero o seu sucesso
Nem a sua felicidade eu não quero
Passar por estas coisas como um império
Que sou obrigado a visitar
Do governo que você elegeu para mim
Eu me anulo eu escapo eu me esperto
Não vou mais aos museus da sua glória
Nem ando mais nas vias dos teus pré-requisitos
Você é dono de uma cidade cheia de muros
Onde quer que eu more
Uma cidade cheia de muros sem parques.

TAGS: vida muros metas casa cidade urbano sucesso
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Sobre O Blog

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O Basílio, surgiu em 2006 como autor de alguns dos meus poemas mais rústicos, mais duros, políticos e sociais. Essa série de poemas compôe um livro, ainda não publicado, entitulado "4 Poetas Menores". Cléu, Charles, Carlos e Basílio, essas são as 4 personagens do livro. Publiquei alguns textos da série de poesias da Cléu num blog tempos atrás, também extraídos do mesmo livro. Agora desenvolvo sobre Basílio, sob a sua perspectiva, uma poesia experimental, que expetimenta outros sentimentos, outra harmônia. Esse blog tem esse objetivo.

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